quinta-feira, 13 de julho de 2017

O PERFIL DA PERSONALIDADE (BERKELEY)


O PERFIL DA PERSONALIDADE (BERKELEY)
Tema
Cantífula
Canera
Raça
Olímpio
Carlos
Adelino
1.       Sociável, comunicativo
5
5
5
4
4
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2.       Tem a tendência de encontrar defeitos nos outros
4
3
3
2
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3.       É um trabalhador digno de confiança
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3
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4
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4.       Fica calmo em situações tensas
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5.       Aprecia experiências artísticas
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6.       É reservado
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7.       É atencioso e gentil com quase todos
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8.       Pode ser um tanto negligente
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9.       É relaxado, aguenta bem o stress
4
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10.    Prefere trabalhos simples e de rotina
1
1
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11.    É cheio de energia
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12. Pode ser frio e distante
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1
13. Faz as suas tarefas num modo eficiente
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14. Fica facilmente nervoso
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1
1
15. Tem uma imaginação activa
5
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16. Algumas vezes é tímido e inibido
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17. Gosta de cooperar com os outros
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18. Tende a ser desorganizado
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19. É emocionalmente estável, fica dificilmente aborrecido
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20. Tem poucos interesses artísticos
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21. É falador
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3
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22. Às vezes é indelicado com os outros
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23. É consciencioso no seu trabalho
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24. É deprimido
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1
25. É um entendedor em arte, música ou literatura
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26. Tende a ficar calado
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27. Geralmente confia nas pessoas
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28. Às vezes é preguiçoso
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1
29. Fica muito preocupado
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30. É um pensador profundo
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31. É um entusiasta
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32. Perdoa facilmente
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33. Fica facilmente distraído
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34. Pode ficar muito tenso
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35. É inventivo
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5
5

RESUMO DAS AULAS DE PSICOLOGIA PASTORAL
Introdução
Nas páginas que seguem tencionamos apresentar de forma sintética os principais temas que temos vindo a abordar durante as aulas de Psicologia Pastoral e sua aplicação na vida real dos agentes de pastoral.

1.      SENSAÇÃO E PERCEPÇÃO
Com este tema vimos que o que nós vemos, muitas vezes, não corresponde ao que percebemos com a mente. Por isso, na nossa acção pastoral precisamos de nos dar conta que o que falamos não é o que as pessoas entendem. É importante fazer chegar a mensagem ao nível das pessoas, porque a pastoral deve atingir todo o mundo e os diversos níveis de desenvolvimento.

2.      APRENDIZAGEM E CONDICIONAMENTO
Aqui pretende-se evidenciar que todos nós aprendemos através do condicionamento. Portanto, a percepção está unida à percepção. Deste modo, o nosso comportamento é determinado pelo que acontece depois, pois a ideia tende à acção.

3.      O PERDÃO DOS PECADOS
A tarefa de cada cristão é a libertação do pecado e da culpa. Em matéria de confissão, o padre não deve revelar os pecados de outrem aos terceiros, ele deve manter o sigilo sacramental. O perdão não é um senso de falsa humildade, mas uma atitude que torna a pessoa que perdoa livre, que quebra o círculo do medo. Com efeito, é preciso perdoar-se a si mesmo para perdoar os outros. E, enfim, saber que perdoar é uma caminhada, um processo de descobertas reveladoras.

4.      MECANISMOS DE DEFESA
Na vida cristã ou na acção pastoral, em face da nossa conduta, encontramos vários mecanismos de defesa para justificar o nosso procedimento em determinadas circunstâncias. Estes mecanismos podem ser: de racionalização, substituição, projecção, formação de reacção, repressão, regressão, identificação e sublimação. No cômputo geral, estes mecanismos constituem fuga de responsabilidade. Por isso, devemos evitá-los como pastores de almas e assumir o que for necessário, sem reprimir sentimentos muito menos ter atitudes não aceites pela sociedade, mas sempre cultivando atitudes saudáveis e socialmente responsáveis. Aqui vale recordarmos o princípio geral da moral: “não faz ao outro aquilo que não gostarias que te fizessem ”. Para tal é preciso a empatia, colocar-se no lugar do outro; assumir o ponto de vista do outro e dar-se conta que as pessoas vivem uma realidade diferente da sua.

5.      OS CANAIS PREFERENCIAIS DE COMUNICAÇÃO
Os canais preferenciais de comunicação são os meios usados para a transmissão da mensagem do emissor ao receptor. Deste modo, os canais de comunicação são três, a saber: visivo ou visual, auditivo e cinestésico. Uma pessoa visual é muito observadora no conjunto e nos detalhes. Enquanto o auditivo consegue perceber com maior nitidez e facilidade dados vinculados ao som; presta muita atenção naquilo que está sendo dito, por seu turno, o cinestésico detém-se à linguagem não verbal e gesticula facilmente para se expressar; ele pauta pela sensação.
O agente de pastoral primeiro deve dar-se conta do seu canal preferencial e depois o secundário e o que tende a ser inconsciente. Mas a mensagem deve ser transmitida de forma conjunta, aos três níveis da comunicação. De facto, a comunicação, muitas vezes chega atrofiada porque usamos nosso canal preferencial. Por isso, precisamos de usar os três canais de forma conexa para abranger a nossa comunicação a todos os ouvintes.

Conclusão
A partir dos temas acima percebemos que a Psicologia Pastoral fornece temas interdisciplinares cuja aplicação pastoral é de capital importância. Da sensação à percepção e aos canais preferenciais de comunicação percebemos os desafios que se apresentam aos agentes de pastoral. Portanto, neste processo de comunicação precisamos de ter atenção dos três estados do nosso ego: o PAI, o ADULTO e a CRIANÇA; modos de ser que, visíveis ao observador, mas nem sempre à pessoa enquanto se relaciona com os outros; ajudam ou dificultam a nossa comunicação.

ESPIRITUALIDADE E SANTIDADE CRISTA

AS PRINCIPAIS ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL

Antes de falarmos da santidade cristã e da perfeição como um campo particular da Teologia Espiritual vamos nos ocupar da vida espiritual no seu desenvolvimento. Não queremos seguir aqui o que S. João da Cruz e Santa Teresa de Ávila nos propõe, esto é as 3 vias de perfeição de S. João da Cruz e as 7 mansões ou moradas do Castelo Interior, de Santa Teresa de Ávila.



Difícil é dizer quanto são os momentos emergentes na vida espiritual. S. Gregório de Nissa afirma que são incontáveis, de um início ao outro início, até a vida eterna. Em prática em cada momento é “momento presente e específico”. Por isso mesmo, aquilo que nós havemos de referir é apenas funcional e não taxativo do desenvolvimento espiritual, isto é, configurações teológicas principais da vida espiritual.



A vida espiritual é portanto um caminho de união com Deus, uma “sequela Christi” e um caminho Espiritual; sustentados pelas três virtudes teologais.



Para chegarmos aos graus do desenvolvimento da vida espiritual é necessário partir antes dos três momentos emergentes na vida espiritual, isto é, da conversão (“Convertei-vos e acreditai no Evangelho” – Mc 1,15 – mensagem primária de Jesus).



Então a primeira coisa que um homem na sua vida deve fazer antes de galgar as etapas da santidade ou da perfeição cristã é a conversão.



Como nos referimos antes, existem três momentos de conversão.





1. Momentos de conversão na Vida Espiritual



1.1. Conversão preliminar



É o momento em que somos baptizados ou o retorno a fé. É uma tomada de consciência do seu ser pecador (“É necessário nascer de novo. – disse Jesus – Se alguém não nascer da água e do Espírito, não poderá entrar no Reino de Deus”. – Jo 3, 3-5). Não se pode fazer um desenvolvimento espiritual sem passar pelo baptismo.

2. 1ª Conversão



É o momento em que se começa a dar o senso cristão a própria vida, pois muitos são baptizados em criança. Esse momento se realiza mais tarde. Este momento pode coincidir com a escolha de vida, viver como homem ou mulher consagrado ao Senhor, ou então o estado comum da vida cristã.



Este é um momento de dar resposta a chamada do Senhor (profissão de fé).





3. 2ª Conversão



- Momento em que se toma a decisão de ser e de viver totalmente para Deus, seja do ponto de vista afectivo, seja aquele activo.

- Se trata de uma conversão universal (implica que não se faça nenhuma reserva a Deus), sincera (que implica pureza do coração na procura sempre de fazer a vontade de Deus), e constante (que transcende o limite temporal).

- Este momento ou etapa pode vir a ser provocada por factos providenciais (kairoi), como por exemplo, uma simples palavra, um retiro, um acontecimento doloroso (doença, luto).



Já desde o 1º momento podemos começar a falar das etapas ou vias de desenvolvimento da Vida Espiritual, porque é lá onde se dá o senso cristão a própria vida.



Pseudo Dionísio, o Areopagita (cfr. At 17,34), fala de três momentos na vida espiritual, incipienti, proficienti e perfetti, isto é, principiantes, professos e perfeitos.





2. Vias ou Etapas de Desenvolvimento da Vida Espiritual



2.1. Incipiente (Via/etapa purificativa)

É a etapa que coincide com a 1ª Conversão, isto é; a etapa de purificação.



Esta etapa é caracterizada pelos seguintes aspectos:

- Observância dos mandamentos e o destaco do espírito mundano.

- A pessoa faz o propósito consciente de certo empenho interior.

- Começa a procurar de fazer sempre a vontade de Deus.

- Desejo de uma vida cristã mais séria.

- Voltando-se a si mesmo e em atenção a graça que contém, ele começa a se conhecer mais a si mesmo, e, com esta nova consciência acede a uma relação com Deus e com os outros, tratando-os como Pai e irmãos, respectivamente.

- A sua mente se faz mais consciente da presença de Deus e da sua importância, enquanto o seu intelecto vem lentamente iluminado (pela fé e luz divina).



Como “principiante”, naturalmente os obstáculos contra o seu desejo de autenticidade são ainda muitos, requer sempre rezar e fazer exercícios, como exame de consciência, a prática das virtudes e frequência ao sacramento da Penitência.



O perigo do principiante é o escrúpulo ou desencorajamanentos por causa dos fracassos. Por outro lado, também existe o perigo de se atribuir muita importância ao fervor e aos esforços pessoais do que a graça e no abandono a Deus.

A oração típica neste estado é aquela discursiva e, lentamente, por meio dela, a consciência se vai fazendo cristã, também nos pensamentos.

A finalidade desta fase é a purificação da alma (“via purgativa”), das inclinações desordenadas e do espírito mundano, por meio da leitura e da oração.



2.2. Proficiente (Via/etapa iluminativa)

Etapa que coincide com a 2ª Conversão. Proficientes são aqueles que acedem ao momento iluminativo e na escola do Evangelho, aprendendo as virtudes e “sentimentos de Cristo” (Fil 2,5).



Trata-se de um estado espiritual mais pacificado, mais estável. O pecado como tal é, normalmente, vencido.

Superando a mediocridade do 1º grau se empreende a via de abnegação. Não procura fazer mais o mal, mas sim se procura de fazer o bem, segundo o espírito evangélico.

Nesta etapa se busca a conformação a Cristo por meio da familiaridade com o Evangelho e a Eucaristia. Cristo se torna verdadeiramente importante e começa a tomar o primeiro lugar, toma os juízos, afectos, e as acções. A criatura começa a ser tomada em relação a Cristo.

O “proficiente” submeteu, habitualmente, as paixões. É o patrão de si mesmo, amante do silêncio e religioso na alma.

A meta desta fase é a procura da verdadeira conformidade com Cristo.



2.3. Perfeitos (Via/etapa unitiva)

Trata-se de uma classificação relativa, porque só Deus é perfeito.



Os “perfeitos” são aqueles que vivem no estado de união com Deus. São aqueles que tem o coração totalmente transformado pelo Espírito do Pai e do Filho.

É o estado em que se goza a união com Cristo que se manifesta, sobretudo, na caridade , como único critério de comportamento (“Se queres ser perfeito, disse Jesus ao Jovem, vai, vende os teus bens, dá o dinheiro aos pobres,… Depois vem e segue-me” (Mt 19,21).



Em prática esta abrange dois modos, segundo De Guibert:



1º - A plena consumação da caridade ou caridade heróica, aquela que a Igreja requere para a beatificação dos Servos de Deus.

O papa Bento XIV depois de ter confrontado com várias definições teológicas, define, assim, esta caridade: “A virtude cristã para ser heróica deve fazer de tal modo que aquele que a possui opere facilmente, prontamente e com gosto, a modo a ser superior ao ordinário, para um fim sobrenatural, sem reflexões humanas, com abnegação e submissão dos modos afectivos”



2º - Uma perfeição na caridade menos plena e esplendente, mas verdadeira e suficiente, isto é, a alma que conseguiu um grau de abnegação e de recolhimento, que é, habitualmente, dócil às inspirações do Espírito Santo e que a caridade domina toda a sua vida, se aceita alguma infidelidade por causa da fragilidade humana.



Conclusão

Numa só palavra podemos afirmar, que a santidade (Perfeição) é Deus quem a dá (imprime no homem a sua imagem e semelhança e o faz, filho no Filho, filiação divina).

A santidade subjectiva (participativa), é a resposta no abandono (momento da purificação ou “via purificativa”), assimilando (momento da iluminação ou “via iluminativa”), unindo-se (momento da caridade como critério ou “via unitiva”). Em prática é a assimilação subjectiva da perfeição objectiva de Deus. Em suma, as etapas ou o desenvolvimento espiritual são a assimilação subjectiva da perfeição objectiva de Deus.



OS MORTOS E O MAGISTÉRIO ECLESIÁSTICO

É sempre gratificante sentir-me flutuando sobre as vossas mãos caros amigos leitores.
Sobretudo porque trazemos, mais uma vez, novas forças e energias para alimentar a vossa sede
de saber, a vossa fome de “comer” as iguarias que este blog vai preparando cada vez mais
 com muito requinte aos seus prezados e amigos de longa caminhada. É sob essa
perspectiva que abordamos, no presente artigo de reflexão, dois temas de capital importância:
“o respeito aos mortos e cemitérios e a Igreja em África à luz da Africae Munus”.
Como se pode antever, há um providente casamento temático à luz do qual falando do respeito
aos mortos e cemitérios apontamos necessariamente ao ministério imprescindível da Igreja de
ensinar aos seus filhos a verdadeira doutrina e o modus vivendi socialis. Aliás, a Igreja sempre
repetiu no seu ensino que “os corpos dos defuntos devem ser tratados com respeito e caridade, na
fé e esperança da ressurreição. Enterrar os mortos é uma obra de misericórdia corporal que honra
os filhos de Deus, templos do Espírito Santo” (CIC 2300).
Caríssimos, mergulhados em ambiente citadino, sempre florescente e propenso à exiguidade
de espaço para a última morada onde jazem os nossos cadáveres, somos interpelados pelo
desafio desconcertante do não respeito aos mortos e cemitérios. Aliado a isso, notamos em nossa
sociedade acções depreciativas de enterros que deixam a desejar, até ao extremo de fazer do
cemitério a nossa vivenda na qual nos recreamos sem nenhum escrúpulo nem pudor. Casos há de
cadáveres roubados para fins supersticiosos e desumanizantes trazendo à nossa cultura um molde
de vida cuja essência ignora sua origem. Que esforços a envidar para mudar este cenário que
ganha ímpeto na “Pátria Amada”? Lembremo-nos que a morte não é o fim da vida. Pois, para
os que crêem em Deus a vida não acaba, apenas se transforma; e desfeita a morada deste exílio
terrestre, adquirimos no céu uma habitação eterna (cf. Missal Romano 509).
A Africae Munus, o compromisso da África, passa pela preservação dos valores culturais
africanos de reconciliação, de justiça e de paz, bem como os de respeito aos mortos e cemitérios.
Lugar primordial nessa tarefa é ocupado pela família que é o núcleo e vértice de toda escola
cultural proeminente ou decadente. De facto, “a família é célula vital da sociedade e da Igreja. É
nela que se plasma o rosto de um povo; é nela que os seus membros adquirem os ensinamentos
fundamentais”, diz Bento XVI.
Portanto, as cogitações acima são apenas um prelúdio das perícias que iremos degustar nos
textos que se nos apresentam a seguir desta modesta introdução. Somos felizardos porque
alimentados pela Palavra de Deus sabemos que Cristo, protótipo dos mortos, abriu-nos as
portas da ressurreição. Por Ele e através dele todo ser humano contempla a sua vida prolongada
para a eternidade e já não teme a morte. Por isso, esforcemo-nos a moldar as consciências do
homem contemporâneo para que seja capaz de valorar os mortos e sua eterna morada. Da morte,
ninguém escapa. Esta verdade trespassa muitos corações, mas vale a pena morrer para ganhar a
vida sem fim na contemplação face a face do Absoluto.
Seja cada um de vós aquecido pelo fogo do amor maternal da Virgem Santíssima!

A GERAÇÃO DE VÍBORA

Mt 11, 16-19
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 16«Com quem poderei comparar esta geração? É semelhante a crianças sentadas na praça, que se interpelam umas às outras, 17dizendo: 'Tocámos flauta para vós e não dançastes; entoámos lamentações e não batestes no peito!' 18Na verdade, veio João, que não come nem bebe, e dizem dele: 'Está possesso!' 19*Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e pecadores!' Mas a sabedoria foi justificada pelas suas próprias obras».

Nesta parábola Jesus sublinha a incapacidade dos seus concidadãos de acolher os mensageiros de Deus e a proposta de amor que eles trazem. Não aceitaram João Batista, o último dos profetas do AT e o precursor do Messias. Inclusive não aceitaram Jesus Cristo, o Salvador que realiza de forma completa o amor de Deus curando, perdoando os pecadores e acolhendo a todos que a ele para experimentar a misericórdia infinita e gratuita de Deus.
Muitas vezes acontece connosco: não reconhecemos a bondade de Deus que se realiza em nós e julgamos que tudo obtivemos por nosso esforço. Sempre que fechamos o nosso coração à Palavra de Deus a nossa fé não acontece e ficamos ofuscados pelas aparências. Jesus convida-nos a caminhar na justiça e numa fé operante e sincera.
A exemplo de Santa Luzia que soube traduzir o Evangelho na sua vida concreta. Apesar da sua riqueza, ela despojou-se, vendeu tudo e distribuiu aos pobres e decidiu permanecer virgem. Tanto é que quando negou dar-se em casamento, como era o desejo de sua mãe, ela foi decapitada em 303. Santa Luzia, portadora de luz, é invocada pelos fiéis como a protetora dos olhos, que são a “janela da alma”, canal de luz.
Traz-nos alegria saber que Jesus não se envergonhou de ser chamado «amigo dos publicanos e dos pecadores» - O perdão que nos anuncia não é uma palavra vazia mas transformadora e operante. Deixemos que a luz desta Palavra transforme o nosso interior, mude as nossas atitudes de julgamento e resistência no acolhimento de Cristo que vem para morar no nosso coração. Hoje não nos envergonhemos de dizer que somos cristãos independentemente do lugar aonde estivermos.
Que atitudes concretas te comprometes levar hoje diante de Deus, de ti e dos outros? Que sinais de transformação interior vais assumir depois de ter escutado esta mensagem? O que é que realmente o Senhor te pede fazer hoje e durante este tempo de advento?

Deus vos abençoe hoje e sempre, sob protecção de Santa Luzia.
O REACENDER DA FÉ ACT 2,1-12
Por Pe. Cantífula de Castro

Objetivo de reavivar o dom da fé recebida no batismo e torná-los como agentes de mudança na família, na Igreja e na Sociedade.
Oremos
Vinde Espírito Santo enchei os corações dos vossos fiéis e ascendei neles o fogo do Vosso amor; enviai Senhor o Vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra.
Ó DEUS que instruístes os corações de Vossos fiéis com a Luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre de sua consolação.
Ó Fogo abrasador, do Puro Amor, vinde como em Pentecos­tes. Incendiai a nossa alma, o nosso coração! Queimai em nós todo ódio, toda falta de fé! Queimai em nós todo orgulho, toda vaidade, e fazei que nos prendamos às coisas do céu! Tirai de nós todo apego ao materialismo, às pessoas. Tirai de nós todo desrespeito humano! Inflamai e purificai o nosso coração com um ardente Amor, por Jesus Cristo. Inspirai-nos o ardente desejo de alcançar o Céu! Ensinai-nos como falar e quando falar, como agir e quando agir. Que sejais vós, Sennhor, fonte de toda santidade, a falar a nós, agir em nós, pois só assim daremos frutos, cem por um! Vinde, Espírito Santo de Amor sobre toda a terra, abrasai-a num fogo consumidor e dai-nos a Paz tão desejada nos corações para que cesse toda a violência e haja o Amor. Isso Vos pedimos, ó Pai, por Jesus Cristo Vosso Filho na unidade do Espírito Santo. Amén.
Lectio Act 2,1-12
O Dom do Espírito Santo – 1«Quando chegou o dia do Pentecostes, encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar. 2De repente, ressoou, vindo do céu, um som comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde eles se encontravam. 3Viram então aparecer umas línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem. 5Ora, residiam em Jerusalém judeus piedosos provenientes de todas as nações que há debaixo do céu. 6Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou estupefacta, pois cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7Atónitos e maravilhados, diziam: «Mas esses que estão a falar não são todos galileus? 8Que se passa, então, para que cada um de nós os oiça falar na nossa língua materna? 9Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia cirenaica, colonos de Roma, 11judeus e prosélitos, cretenses e árabes ouvimo-los anunciar, nas nossas línguas, as maravilhas de Deus!» 12Estavam todos assombrados e, sem saber o que pensar, diziam uns aos outros: «Que significa isto?» 13Outros, por sua vez, diziam, troçando: «Estão cheios de vinho doce.»

  1. “CHEIOS DO ESPÍRITO SANTO” (Act 2,4)
Reverendo Padre Rodinei
Queridos membros da Coordenação da Catequese
Amados eleitos ao Crisma
1.1.     Contextualização
Foi-me proposto reflectir convosco o tema: Reacender da fé. Voltar a acender a nossa fé. Mas o que é que realmente aconteceu com ela? Porventura terá sido apagada ou perdeu o seu vigor? Por que razão deveremos reacender a nossa fé nesta etapa de preparação para o Crisma?
É oportuno tomarmos consciência do tempo em que estamos vivendo. Estamos num tempo em que “tudo está em crise”. É por essa razão que Bauman diz que vivemos em sociedade líquida: “A busca do prazer individual é o fim último da sociedade líquida.” Não há nada que dura. A vida social está desregulamentada e desordenada. Portanto, a liquidez da sociedade se dá pela sua incapacidade de tomar forma fixa. Ela se transforma diariamente, toma as formas que o mercado a obriga tomar, não propicia a elaboração de projetos de vida.
Há crise de valores morais, crise política, crise social, crise económica, crise de identidade, crise de personalidade e carácter, crise existencial.
A vida religiosa também está sujeita a liquidez da sociedade. Por isso encontramos cristãos líquidos. Ou seja, cristãos com fé insegura, fé embrionária, fácil de abanar.  Cristãos que oscilam muito, parece rede da mCel, seguem a direção do vento, são Maria vai com as outras. Cristãos sem raízes profundas; cristãos sem fé que apenas vão a Igreja para serem enterrados após a morte. Cristãos sem programa de vida. Monsenhor Miqueias um dos primeiros sacerdotes Diocesanos de Moçambique certa vez disse: “Na Igreja há muitos baptizados e poucos cristãos”. Até podemos exagerar dizendo que há batismos de pagãos, de pessoas não convertidas. Não sabem o que fazem. E como não abandonar a Igreja depois se não tem fé? Muitos crismados e poucos cristãos activos e empenhados. Muitos cristãos envergonhados com a doutrina da sua Igreja. Cristãos com medo de se confessar, com medo de rezar em público, com vergonha de ler a Bíblia ou andar com ela. Cristãos fofoqueiros e invejosos. Aqui também temos?
Vamos ver aqui depois dos crismas quem é que vai continuar fervoroso na fé; quem vai-se empenhar no amadurecimento da sua fé; quem vai apostar em fazer valer os dons do Espírito para o enriquecimento mútuo.
Essas crises todas constituem um motivo muito forte para reacendermos a chama da nossa fé. Aliás, este ano pastoral tem como tema “Reaviva o dom da fé que está em ti. Juntos reconstruamos a cidadania, promovendo a reconciliação e a Paz” Congratulo-vos pela escolha do tema.

1.2.     O que diz o texto
O nosso texto fala do grande Dom do Espírito Santo que foi derramado sobre os Apóstolos no dia do Pentecostes. Como consequência, eles ficaram “cheios do Espírito Santo”. Lembram-se? Na anunciação do anjo Gabriel, Maria ficou “cheia de graça” (Lc 1,18) e concebeu pela força do Espírito Santo. Por outro lado, “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo” (Lc 1,41). Jesus é plenamente movido pela força do Espírito Santo.
O Espírito Santo é um sopro vital. Pois, “De repente, ressoou, vindo do céu, um som comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde eles se encontravam” (Act 2,2). Ele (O Espírito Santo) distribui a graça a cada um conforme lhe apraz. Serve-se da língua de uns para comunicar o dom da sabedoria; ilumina a inteligência de outros com o dom da profecia.
A este dá o poder de expulsar os demónios; àquele concede o dom de interpretar as Sagradas Escrituras. A uns fortalece na temperança, a outros ensina a misericórdia; a estes inspira a prática do jejum e como suportar as austeridades da vida ascética; e àqueles o domínio das tendências carnais; a outros ainda prepara para o martírio. Enfim, manifesta-se de modo diferente em cada um, mas permanece sempre igual a si mesmo, como está escrito: “A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum” (1Cor 12,5).
Ora, encher-se do Espírito Santo significa deixar-se guiar pela vontade de Deus. Mas se você todo momento pensa apenas em seus negócios, arrombar casa alheia, violar mulher de dono, pensa em cometer adultérios e nunca tem plano sério de vida cristã e social, você está cheio do espírito malígno. Por isso sua vida é só bebedeira, discussões, invejas, ciúmes, ódios, rancor, etc. Leia, por exemplo, o texto de Gálatas 5,19-23ª.
«19Mas as obras da carne estão à vista. São estas: fornicação, impureza, devassidão, 20idolatria, feitiçaria, inimizades, contenda, ciúme, fúrias, ambições, discórdias, partidarismos, 21invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas. Sobre elas vos previno, como já preveni: os que praticarem tais coisas não herdarão o Reino de Deus. 22Por seu lado, é este o fruto do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, 23mansidão, auto-domínio».

  1. REACENDER O DOM DO ESPÍRITO
Precisamos de reacender o Dom do Espírito Santo que recebemos no dia do Baptismo. Aquele mesmo Espírito que nos estimula a confiar em Deus e sermos fiéis aos nossos compromissos baptismais. Mas o Espírito adormece em virtude da nossa dedicação.
Lembrem-se que vivemos num tempo marcado pela flexibildade e velocidade, na qual, provoca uma certa fragilidade no que tange nossas relações sobre as coisas ou pessoas. Essa sociedade líquida é comparada com a água, em razão deste elemento natural ter a potencialidade de alterar sua forma conforme seu recipiente. Nós estamos tendo essa característica instável, nos moldando conforme o andar da carruagem. Perdeu-se o aspecto durável e sólido das coisas, tudo é passível de mudança.
Em virtude disso, as pessoas não querem compromisso. Não se conhecem e vivem de aparências. Parecer bonita (compra cabelos muito caros só para parecer mukunya. Boneca Barbie Humana De Mo: veste cabelo de 20.000,00MT. mas não sabe cozinhar nem consegue levar o prato que usou deixar na cozinha. 08.03.17 Big Boss).
Gente, o Espírito Santo vem operar uma revolução na nossa vida. Ele vem transformar-nos em pessoas novas. Você não pode admitir crismar para continuar aquela pessoa que não quer nem tirar o próprio ranho. É exagerado. Sim. Mas quero me referir da colaboração de cada um no crescimento da nossa comunidade. É incrível queridos. As mesmas pessoas que não conseguem tirar 50,00Mt na Igreja Católica quando chegam na Universal tiram 1000.00Mt ou mais.
Não sei porque o uso dos dons vai-se esfriando nos nossos grupos, nas nossas reuniões, nas comunidades. Não pensemos que basta falar do Evangelho, que já estamos evangelizando. Para que a evangelização penetre no coração, na vida das pessoas, Deus nos deu um meio maravilhoso, que são os dons do Espírito Santo. Podemos ler na 1Cor 12,4-11: diversidade de dons.

Para reacender o Dom do Espíirito somos chamados a redescobrirmos a beleza e o encanto da fé, para renovarmos o nosso caminho de fé pessoal e comunitária, através dos exercícios espirituais de mais intensa escuta da Palavra, de mais fervorosa oração e de mais frequente participação na Eucaristia e no sacramento da Reconciliação.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

COMENTÁRIO DE MT 11,16-19

METIDAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS: Mt 11, 16-19

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 16«Com quem poderei comparar esta geração? É semelhante a crianças sentadas na praça, que se interpelam umas às outras, 17dizendo: 'Tocámos flauta para vós e não dançastes; entoámos lamentações e não batestes no peito!' 18Na verdade, veio João, que não come nem bebe, e dizem dele: 'Está possesso!' 19*Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e pecadores!' Mas a sabedoria foi justificada pelas suas próprias obras».
Nesta parábola Jesus sublinha a incapacidade dos seus concidadãos de acolher os mensageiros de Deus e a proposta de amor que eles trazem. Não aceitaram João Batista, o último dos profetas do AT e o precursor do Messias. Inclusive não aceitaram Jesus Cristo, o Salvador que realiza de forma completa o amor de Deus curando, perdoando os pecadores e acolhendo a todos que a ele para experimentar a misericórdia infinita e gratuita de Deus.
Muitas vezes acontece connosco: não reconhecemos a bondade de Deus que se realiza em nós e julgamos que tudo obtivemos por nosso esforço. Sempre que fechamos o nosso coração à Palavra de Deus a nossa fé não acontece e ficamos ofuscados pelas aparências. Jesus convida-nos a caminhar na justiça e numa fé operante e sincera.
A exemplo de Santa Luzia que soube traduzir o Evangelho na sua vida concreta. Apesar da sua riqueza, ela despojou-se, vendeu tudo e distribuiu aos pobres e decidiu permanecer virgem. Tanto é que quando negou dar-se em casamento, como era o desejo de sua mãe, ela foi decapitada em 303. Santa Luzia, portadora de luz, é invocada pelos fiéis como a protetora dos olhos, que são a “janela da alma”, canal de luz.
Traz-nos alegria saber que Jesus não se envergonhou de ser chamado «amigo dos publicanos e dos pecadores» - O perdão que nos anuncia não é uma palavra vazia mas transformadora e operante. Deixemos que a luz desta Palavra transforme o nosso interior, mude as nossas atitudes de julgamento e resistência no acolhimento de Cristo que vem para morar no nosso coração. Hoje não nos envergonhemos de dizer que somos cristãos independentemente do lugar aonde estivermos.
Que atitudes concretas te comprometes levar hoje diante de Deus, de ti e dos outros? Que sinais de transformação interior vais assumir depois de ter escutado esta mensagem? O que é que realmente o Senhor te pede fazer hoje e durante este tempo de advento?

Deus vos abençoe hoje e sempre, sob protecção de Santa Luzia.

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